Minha Pequena,
você sabe que dia é hoje, o mundo lá fora não nos deixa esquecer. Passou-se um ano. As coisas mudaram de lugar, nós mudamos, tudo mudou. Não existe mais um ‘nós’. Somos apenas, eu e você. Eu mudei e você também. Sim, eu reparei no quanto está mudada. Eu me lembro e sei que se lembra também, de quando nos conhecemos, de nosso primeiro beijo, de meu pedido de namoro e de como parti sem dizer adeus. Eu já me desculpei, mas retorno a fazer isso, nem eu imaginava que estaria partindo naquele momento onde tudo parecia tão feliz. Acredito que entenda um pouco dos meus motivos, estou numa busca. Não sei o que busco, admito, mas quando achar saberei. Não posso arrastá-la nessa busca pelo desconhecido. Nem prender-te quando a boemia me faz provar milhares de amores em cada porto quando fujo da sobriedade. Gostaria de ter a certeza de porto, de ter pra onde voltar, de que estaria me esperando. Gostaria de saber que mesmo casada, com filhos, dois cachorros numa casa amarela que se eu voltasse que viria até mim, me beijaria e se entregaria como se eu nunca houvesse partido. Entretanto, sei que não poderia pedir-te isso. Não sei, só gostaria sabe? Assim como eu gostaria de não ter entrado nessa busca da qual não se pode voltar sem resultado. Eu ainda lembro de ti, ainda passeia por meus pensamentos noturnos, lembranças que se passam feito um filme mudo. Entre nós nunca precisou de muitas palavras, um beijo, um abraço, uma mordida no sítio certo do pescoço, um arranhão nas costas e por aí vai. Só te escrevi esta carta, para dizer que lembrei de nós, que lembrei de ti e que nunca vou esquecer-te. Talvez seja errado dizer que te amo, então, direi de outra forma bem menos poética. Eu daria minha vida por você.
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